Tempo: volta p'ra trás.

Nem acredito que me esqueci de ti... Hoje era o teu aniversário, e eu não me lembrei. Hoje fazias 20 anos e eu simplesmemte esqueci-me.
(...)
Oh como me lembro das tuas traquinices próprias de quem é criança, do trabalho que davas à nossa ama, da tua ingenuidade, aquela que não vê maldade nas coisas. O olhar com que me fitavas sempre que te passava um sermão apesar de seres mais velho; o sorriso com que ficavas quando percebias que fazia aquilo porque era tua amiga e não te queria ver sempre a levar na cabeça; a maneira como me defendias sempre que eram injustos comigo.

Mas, lembro-me sobretudo do teu olhar assustado quando me davam aquelas malditas crises, aquelas malditas convulsões. Dizias que odiavas ver-me assim, dizias que era a única coisa que te aterrorizava... Lembro-me que choravamos os dois sempre que acontecia, choravamos nem sei porquê, mas choravamos muito.  Como eramos crianças assustadas na altura... Tu mais que eu. Parti a perna por causa disso, queria-te mostrar que não era preciso ter medo e saltei, que parva fui! Agora percebo, não eras tu que eras assim tão medricas era eu que era muito pouco inteligente.
(...)
Sinto a tua falta e das histórias mirabolantes que inventavas, das tuas birras, de andarmos os dois a volta do jardim com os pratos na mão porque era a única maneira que tinham p'ra nos fazer comer e mesmo assim ás vezes era um suplício.
(...)
Mas as coisas mudam dum momento para o outro e desapareceste, talvez um dia te reencontre... é por tua causa que acredito que há mais alguma coisa para além disto.

Feliz aniversário João!


Ps.: No outro dia fui ver um filme, lembrei-me tanto de ti. Por causa da história, havia um rapaz, um que faleceu e até tinha o mesmo nome que tu, mas ele consegui ao menos passar pela universidade. Era só um filme, mas chorei à mesma,... não era a realidade, mas para mim tinha muito de real!

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